Findhorn

Entregue seu problema à uma árvore. E confie nela.

Um dia desta semana, sai cedo para fazer algumas coisas práticas. A cidade de São Paulo, às 7h da manhã é barulhenta e tensa. Parece que as pessoas acordam assim. Eu acordo sempre quieta. Num silêncio interno e desejando o silêncio externo. Geralmente, é meio impossível, dado ao lugar onde moro. Uma grande avenida passa ao lado do meu quarto. 

Especialmente neste dia, não deixei o barulho externo me perturbar, mesmo estando na rua. Meu bairro é muito bonito. Cheio de árvores, algumas frutíferas. Gosto de apreciar. 

Daí, me encontrei com uma enorme árvore no caminho. Parei e a observei. Muito alta e com o tronco largo. Me deu vontade de abraçá-la. E lembrei do que aprendi em Findhorn. Uma das experiências que o grupo que esteve lá em 2016 teve, foi uma vivência com seres do meio ambiente, tais como as árvores. E a facilitadora, uma das pessoas que mais me tocou entre tantas que conheci lá na vila, nestas vezes todas que estive lá, fez uma harmonização com um baralho das árvores e nos explicou que poderíamos colocar qualquer problema que tivéssemos, nas mãos delas, mas com uma condição. De que não falaríamos mais daquilo. Simplesmente entregar e esquecer.

Veja mais fotos do Rio Findhorn neste link. São incríveis imagens captadas por Bernardo Borges.

Veja mais fotos do Rio Findhorn neste link. São incríveis imagens captadas por Bernardo Borges.

Pois... no dia seguinte fomos ao Rio Findhorn. Um dos locais que amo estar. Uma floresta cheia de mistérios e de árvores centenárias. Já estive lá algumas vezes. Mas desta vez foi mais especial. Eu me entreguei no útero da árvore avó. Olhem as fotos dela. Ali, naquele espaço, eu entrei e fiquei. Papeando. Ela falou do feminino. Já falei disso aqui no blog. Me cuidou e deixou uma seiva grudenta no meu chapéu. Nunca mais saiu e eu não tentei tirar.

Ao me lembrar disso, aqui em plena São Paulo barulhenta, abracei aquela árvore que encontrei e deixei ali algo que eu preciso acessar. E não posso falar aqui, pois este é o acordo, né ? Não falar mais do assunto. Mas como é difícil. Muito. Só que a cada dia eu compreendo mais sobre isso. O Silêncio é um enorme aliado que temos. Quanto menos falamos o desnecessário, mais nos abrimos para a abundância.Muita falação, reclamação, mimimi, me afasta do meu centro. Tenho desfrutado deste silêncio. Deixando menos gente entrar no meu espaço sagrado. Menos gente dar palpite. E entregando minhas necessidades às árvores. Com confiança.

Quanto mais me conecto às árvores, mais compreendo qual mudança precisamos fazer no mundo. Como seres como elas podem nutrir umas às outras, independentemente se suas espécies, independentemente de estarem presas no solo, porém com raízes que se expandem e se conectam? Eu vejo a humanidade podendo ser assim, mas com desafios que os afastam desta conexão que somos. De fato, as árvores podem não ser racionais. Elas não tem EGO. Mas têm uma consciência, uma inteligência. No meu entender, mais expandida que a nossa. Ainda brigamos entre nós, por sobreviver. Ao invés de usarmos nosso racional para criar um sistema verdadeiramente de colaboração, sem escassez.

Há quem dirá que isso já existe. Não tenho visto na prática. Vejo pessoas falando bastante. Mas agindo pouco. Vejo bastante julgamento, escasseando o mundo de quem faz. Vejo pouco silêncio interior que poderia nos nutrir de mais sabedoria. Mas isso é o que eu vejo. E, como diz um ser humano que conheci, a gente vê o que consegue ver. Talvez porque eu mesma julgue. Eu mesma faço muito barulho. Eu mesma só consiga ver o que me escasseia. Por isso, empreendo no autoconhecimento e na minha evolução. Para que eu veja e enxergue além do que consigo hoje. Além das aparências.

Este vídeo mostra uma pesquisa de uma doutora canadense, sobre a conexão das árvores. É curto, mas bem interessante.

Agradeço às Árvores, pela paciência com o ser humano. Pela coragem de estarem aqui neste planeta com seres que as agridem. Pela sabedoria ancestral que me alimenta, quando estou conectada à elas. Pela sombra, no calor. Pela beleza. Por ser casa dos passarinhos e outros animais. Pela inspiração.

Com amor. 

Patrícia Stanquevisch

 

Eu queria um poema e uma música que falassem meio que assim

Eu queria ser poetiza para escrever de um jeito bonito sobre as coisas que estão acontecendo no meu caminho, no meu agora. Mas não sou. Tenho que usar artifícios... pegando músicas e publicando. Ou poemas de alguém que seja mais inspirado que eu.

Mas eu queria um poema e uma música que falassem meio que assim:

Era uma vez uma Casa aberta prá todo mundo vir. 
Tinha chave, mas nunca era trancada. 
Qualquer um podia abrir. 
Liberdade foi o seu norte.
Para muito projeto surgir.

E também havia uma vila que eu aprendi a amar. 
Uma vila cheia de anjos espalhados pelo ar. 
E nela haviam pessoas, para o sistema funcionar. 
Ensinando que o compromisso não pretendia aprisionar.

Um dia, a Casa e a Vila, se encontraram no amor. 
Se envolveram plenamente, compreendendo o seu valor. 
Foi intenso, impressionante e extremamente desafiador. Suportaram muitas coisas, se causaram alguma dor.

Mas aqui o que importa é o que disso tudo nasceu.
Uma Casinha amorosa, que acolhe você e eu.
Gestada com muito amor, veja o que nela despertou
Que Liberdade e Compromisso são a base do Amor.

Casa DNA Findhorn

Ano passado, quando fui para Findhorn, com o primeiro grupo do Destino Colaborativo, numa das minhas meditações, recebi um insight, que chamo de guiança, para criar uma Casa em SP, na Zona Oeste, que seria um ponto de conexão com Findhorn e um espaço de expansão para outras cidades se conectarem. Como bolhas que se juntam.

Voltei de lá muito empolgada. Chamei pessoas para isso. Algumas se conectaram. Outras propuseram casas para que tudo acontecesse. Mas nada rolou, de fato. E nunca desisti da ideia.

Acho que daquele tempo, poucas pessoas continuaram caminhando comigo. Mas ficou quem tinha que ficar. É sempre assim. Chega quem tem que chegar, vai quem tem que ir.

Depois de dois Jogos Planetários, 2015 e 2016, eu aprimorei minhas percepções. Minha singularidade afinou e fiquei mais sintonizada com um algo maior. A consciência. Incorporei muitos dos meus aprendizados.

Isso inclui o que aprendi na Laboriosa89. A primeira casa colaborativa que conheci pra valer. Um laboratório de como lidar com pessoas compartilhando algo tão grande e sobre colaboração com um olhar mais expandido.

Tive o melhor dos mestres nestes tempos. Aprendi mais sobre mim mesma. Que era o que realmente importava, para depois eu pensar numa casa como esta. E dei forma em mim ao conceito de abundância, compreendendo onde começa e termina a escassez.

Cheguei de Findhorn há duas semanas. Dois ou três dias depois, recebi uma mensagem inbox sobre uma pessoa que gostaria de repassar uma casa para frente ou fazer uma mudanca para colaborativa. Isso foi mais de meia noite. Senti um chamado no coração. No outro dia de manhã estávamos la, conversando com ela.

Primeira conversa e meu coração vibrou. Segunda conversa com mais gente interessada nesta "aventura" e tudo se firmou.

Nasceu a CasAum - DNA Findhorn. Uma Casa Colaborativa, com Base no Amor, onde os compromissos ficam claros, abertos. O uso é para o bem comum.

DNA Findhorn, pois as premissas são as mesmas: Amor em Ação, Verdade Interior (busca pela integridade) e Relacionamento com a Natureza e Ecologia.

Uma união de algumas iniciativas. Destino Colaborativo, A Forma, Casa Yoga, Passarim, Casa Ser e ponto do Ecobairro. Muitas outras que estão chegando aos poucos e estamos deixando fluir.

Nela teremos:

Horta Urbana de acesso à comunidade.
Espaco de Livre Interação.
Mindfulness,
Yoga.
Feira de Alimentação Orgânica
Todos os projetos do DC abertos para quem quiser participar presencialmente.
Agenda de espaços compartilhados para seu evento, curso, encontro, etc etc etc...
Loja compartilhada.
Espaço para projetos de alimentação (aliás se vc tem um, pode nos procurar, pois queremos falar a respeito).

Na verdade, nós pegamos tudo o que aprendi na Cidade Distribuída de Findhorn e muitos de nós com o Oswaldo Oliveira, na Laboriosa e Empreender-se, e fizemos um combo na CasAum.

Com um toque das nossas percepções individuais. pois somos um grupo de pessoas, cada uma com sua experiência e vontade de fazer algo assim, deste jeito.

Este é um começo para um outro objetivo. Uma Ecovila em Florianópolis. Na CasAum daremos início a este projeto.

É meu propósito de Futuro Emergente colocado em ação. Na prática, Com muita gratidão por todos que passaram no meu aprendizado com dor ou sem. :)

E muita, muita alegria por agir com CORAGEM de fazer algo assim.

Venham !! A Fanpage já existe. Acompanhe este desenho.

Inauguraremos em 02/09, mas já estamos trabalhando para que ela esteja girando antes disso.

Ah, e lá teremos uma sala muito especial. O Santuário Sagrado. Onde vc pode ir a qualquer momento, só para entrar em contato com sua sabedoria interior. Pode acreditar, este espaço será poderoso. <3

Esta Casa é de Todos. Das Partes para o TODO. A Soma delas e mais ELE.