Sobre viver em Rede, num mundo diferente.

Texto escrito em 11/10/2016 para o Destino Colaborativo

Me auto analisando, eu já entendia desde pequena o que era fazer coisas em Rede. Não levava um lanche para o piquenique na escola, sem antes compreender quem não poderia levar sua parte. Dava um jeito de todos nós levarmos o suficiente para todos.

Na ginástica eu nunca me envolvi com treinamento ou coreografias individuais. Sempre em grupo. Na formação do Jogo da Transformação, escolhi o tipo avançado, que poderia jogar com eis pessoas. Então, minha vida é em Rede, desde sempre.

O que observo é que o caminho da abundância, também, está na compreensão de que sozinho você não vai fazer mais nada. Esta estrutura não funciona para o SER, muito menos para o SOBREVIVER.

Daí surgem as necessidades individuais. Ou seja, cada um tem um caminho próprio. Escolhas de profissões que são individuais. Exemplo: Doulas, Professores, Terapeutas. O que fazer com isso ?

Penso que o que fazer é unir esforços numa iniciativa. Juntar especificidades que se complementam para atender à Rede. Foi por isso que criei o Unleash em 2014. Unir terapeutas, de linhas diferentes, que se complementassem e pudessem se apoiar num projeto em que as pessoas acessem a terapia necessária para cada momento. Quando em Rede, mais em conta fica o valor e mais gente pode acessar. Em 2015, criei A Forma, uma iniciativa em Rede para eventos e cursos que visassem a Expansão da Consciência.

Ideias: A doula atende às gestantes. Mas a gestante também precisa de nutricionista, de yoga, de massagem, de milhões de outras coisas. Então, porque não se criar uma iniciativa em Rede para Gestantes ? Onde não se tem só uma doula ou só uma professora de Yoga ou só um terapeuta de thetahealing. Mas vários. E em vários locais. Quem usa paga um recorrente que sustenta toda a malha de profissionais. este é um exemplo.

Nisso também pode se conectar a agência reversa. Que apoia na divulgação, no visual, no comunicar de todo o trabalho.

Tanta gente trabalhando sozinho.e sofrendo. Não vejo como não dar certo se o compromisso for coletivo. Fica difícil você fazer o que veio fazer, partindo do coração, quando está sozinho.

Esta é a inteligência do Destino Colaborativo. Tudo distribuído, sem hierarquia, pela colaboração e no AMOR. 

Depois de um tempo prototipando, chegou este texto aqui, para quem estava trabalhando na iniciativa: Texto escrito em 11/10/2016 para o Destino Colaborativo

O que tenho visto e sentido ao longo do tempo da maturidade que o DC vai assumindo é que ele ainda quer nos mostrar algo sobre sustentabilidade. E sempre me vem a relação entre Liberdade e Compromisso.

Tenho percebido que a maioria das pessoas que se conectam ao propósito, se apaixonam. Mas não conseguem sustentar a paixão. Como um namoro mesmo. Por causa das questões pessoais. Sustento individual, sustento da família, medo, entre outras dezenas de motivos.

Eu já superei essas questões mais difíceis. Acho que elas são mais difíceis por serem arraigadas numa tridimensionalidade. Não foi simples superar. Foram muitos processos de purificação, autoconhecimento e, poderia dizer, milagres. Eu recebo milagres desde sempre. O Jogo é o principal deles.

Hoje fui dar uma busca num post no grupo do coworking e vi a quantidade de tarefas não realizamos. Muitas. Muitas mesmo.

Dai o que acontece. Precisamos ser remunerados, confiamos no DC enquanto iniciativa em rede, mas não cumprimos com os compromissos. E acho que por voltamos sempre ao estado anterior, de buscar à remuneração para cobrir as necessidades. Até poderíamos fazer isso, se equilibrássemos a intenção. Mas não acontece. São riscos a serem tomados se quisermos fazer dar certo. Uma dedicação maior. E eu não acho que é se cobrando que isso vai acontecer. É por escolha mesmo. Entrar com fé, confiança e entrega. Ou não entrar.

Para fazer esta escolha entram outras variáveis. Por isso eu me doo muito para apoiar quem está dentro, para valer. Jogo quantas vezes forem necessárias. Crio espaços para expansão. Por confiar nisso tudo. E saber que para estar dentro, muitos desafios pessoais aparecerão.

Não vejo como a coisa dar certo se 3 coisas não acontecerem:

  1. compromisso com a iniciativa

  2. liberdade em SER e escolher

  3. um suporte do coletivo ao individual para que tudo flua.

Sobre os dois primeiros eu já falei muitas vezes. Sobre este último menos.

É tempo de abrir-se para ser cuidado. E cuidar. Só é possível isso acontecer, se abrindo. Colocando suas necessidades e  interagindo para descobrirmos formas de apoiar. E isso não é só um bate papo. Muito além disso. Mas criar juntos soluções para as situações emergentes. Nada me interessa mais do que meu parceiro de jornada estar bem. E se posso apoiar para que isso aconteça, irei fazer. A sua necessidade é a necessidade do Todo. Isso não quer dizer parasitismo. Mas acessar o que precisa quando precisa, de maneira íntegra.

Geralmente, eu posso olhar para você e perceber o que você precisa. Mas não é meu papel. Cada um precisa aprender sobre suas necessidades e colocar no campo para acessar.

Como a gente pode fazer um modelo de negócios assim ? Não tem chefe, nem subordinado. Todos cuidam e são cuidados. Todos têm tarefas e as cumprem. Tudo é sustentável.

Eu sei que existem ferramentas surgindo para obrigar o cérebro das pessoas à uma mudança de paradigma quanto a isso tudo. Mas eu sinto que meu caminho é outro. Pelo coração. Que as pessoas se conectem a isso pelo coração. Não precisem mudar porqque estão dentro de um novo sistema. Pode ser menos sistemático.

Existe muito no campo de possibilidades para que consigamos dar um passo acima. Movemo-nos para um próximo nível.

Entrei num ônibus estes dias. Ele estava lotado. E eu desceria logo. Fiquei observando. Vários espaços vazios entre as pessoas. Não espaços grandes. Mas espaços. Daí percebi que quando um se movia naquele espaço vazio, outro poderia se mover e eu, por consequência, andaria mais um pouco até a porta. Só que havia gente em várias posições ou estados de ESTAR naquele ônibus, estagnando o processo. Olhando a vida passar. Ouvindo sua música no fone. Olhando o celular. Dormindo em pé. Tudo bem fazer tudo isso, desde que presente no Todo. Sem observar o entorno, a ponto de perceber que se ele ocupasse aquele pequeno espaço de um jeito diferente, um movimento se daria e o fluxo aconteceria. Para mim é isso. Como ocupamos nosso espaço no mundo, gerencia o fluxo da abundância ou gera escassez. O autocentramento, isto é, olhar para o próprio umbigo, causa escassez. O autoconhecimento, isto é, olhar para suas necessidades reais, não egóicas, provoca o campo para acessar a abundância. Bemmmm diferente as duas coisas.

São pequenos movimentos que podemos fazer dentro do ônibus para que cada papel se estabeleça onde precisa estar. E o objetivo de chegar à porta se dá.

Olha para isso. Compreendendo, faça sua escolha. Cada um fazendo seu papel é a necessidade do Todo. Nada mais do que isso.

Patrícia Stanquevisch