Física da Busca e o presente do perdão.

Meus amigos sabem como gosto do filme Comer, Rezar e Amar. Posso ver mil vezes e em mil vezes encontrarei inspiração. A trilha sonora é especial, com dois dos meus músicos preferidos, Eddie Vedder e Neil Young. 

Vou aqui falar de algumas cenas. É melhor você ter assistido, para não receber spoiller. 

Cena 1 - Chamo de Espaço do Coração e o Perdão

Liz na Índia. Lugar onde ela aprofundou sua conexão divina. Isto é, consigo mesma. Nada para mim é divino além do nosso SER. E entrar em contato com isso requer silêncio. Silêncio das distrações humanas. Não importa onde estou. O silêncio é algo meu. Não do lugar. O que deixo entrar na mente, no coração. 

Neste ashram*, Liz conhece Richard, que inicialmente a alfineta de diversas formas, tentando tirá-la da zona de conforto da vítima do mundo. Quantos Richards precisei para que eu encontrasse mais amor em mim ? Muitos, especialmente nos últimos dois anos. 

Apesar do incômodo que Richard causava, acabaram ficando amigos e desfrutando alguns momentos juntos. Num determinado momento em que Liz está muito tocada e em contato com a dor da culpa por ter desfeito seu casamento, Richard a leva para um espaço onde ele, normalmente, vai para meditar.  E conta a ela suas próprias dores, suas culpas e como tem feito para liberar. Convida-a, então, para só sair dali quando estiver perdoada. E assim foi.

Veja a cena.

A Leitura que faço desta cena é de que todos temos este espaço dentro de nós, para reencontros e reconciliação. Às vezes não temos mais contato com a pessoa da situação, mas a dor ainda permanece. Seja porque temos mágoa dela ou porque não nos perdoamos. Entrar neste ESPAÇO DO CORAÇÃO e chamar a pessoa até ele é uma forma de dissolver dores. Estamos conectados. Só precisamos desenvolver a habilidade de nos abrir para isso. 

Exercício: Procure um local calmo onde você não será incomodado. Respire pela boca, expandindo o espaço do peito. Deixe isso crescer em você conforme respira. Imagine que este espaço, conforme aumenta, se torna uma bolha. Esta bolha irá envolver você, depois a sala onde está, a casa, e assim por diante. Quando sentir que expandiu, chame a pessoa com quem quer conversar. Não invada o espaço dela. Somente a chame para estar com você. E faça a reconciliação. Ouça o que vier, sem julgamento. Nada está certo ou errado. Simplesmente é o que é. Sua mente pode tentar sabotar a experiência julgando. Deixe passar. Não brigue com isso. Repita a experiência até sentir que liberou esta situação da sua vida. A dor não está no fato, mas na percepção dele. É como você deixa isso vibrar em você.

A frase que fecha este tema e que uso constantemente para exercitar o desapego é " Então sinta minha falta. E me mande amor e luz toda vez que pensar em mim. Depois esqueça. Não vai durar pra sempre, nada dura.”

Acho que a falta do perdão tem a ver com outros bloqueios. Não vou discorrer sobre eles, mas vou citar e sugerir que eles se transformem em outra coisa:

Culpa - Transforme em responsabilidade. Aprimore a habilidade de responder às situações da sua vida. É mais eficiente.
Vítima - Transforme em Poder pessoal. Coloque em você o poder e não no outro. Saia do papel que não te pertence. Observe-se fora dos abandonos, das traições, das manipulações. Você só entra na vítima quando está fora do seu poder. E todos nós temos. É divino, é pleno. Mas não confunda isso com o item abaixo.
Condescendência - Assuma a responsabilidade pelos seus atos e aja de acordo com isso. Você errou, ok. Peça perdão ao outro e a você, mas resolva a situação causada. O mesmo em relação ao perdoar o outro. Perdoe a situação, mas não permita que as consequências não sejam resolvidas pelo responsável. Deixe de "deixar para lá." O amor não é condescendente.

3 pontas de um triângulo importante. Reveja esta geometria sagrada na sua vida.

Cena 2. Equilíbrio

Liz está com Ketut, o xamã que ela encontra constantemente para aprender mais sobre si mesma.  É sua despedida de Bali. Ketut (um ser que eu adoraria conhecer) lhe faz perguntas. Uma delas é sobre o namorado. Liz diz que não está mais com ele (ai ai ai). Simples assim. Veja a cena, porque ela é auto explicativa. 

Não precisei ir para Bali para descobrir isso. Talvez lá eu descobrirei outras coisas, em breve.

Tive uma relação na vida que foi muito intensa, apaixonante, cheia de devaneios, transes, surtos, alegrias, entregas, e tudo o que me tirou do equilíbrio. Desequilibrei para equilibrar. Porque eu não enxergava nos espelhos anteriores que haviam se apresentado.  Precisei olhar para este para me ver dentro da relação. Uma relação de entrega, pois perdi o controle. Foi tão rico !! E foi por amor. Não por paixão. Um amor que me conectava a algo que chamo de Fonte. Estar com esta pessoa, só estar, era conectar-me à Fonte. Pleno. Puro. Sem julgamento. A desconexão me causava dor. Sentimento de abandono e separação. Este foi o experimento. Estar na Fonte e fora. Muito louco. Contração e expansão. Aprender e dar forma. Sentir e devolver a energia. Receber e ser grata. Foi tudo isso que sair do equilíbrio me trouxe.

Como disse acima, a trilha sonora é especial. E parte das minhas reflexões. Esta música tem uma letra simples, mas a melodia vibra o coração.

"Andarei eu a longa estrada? Nós todos andaremos a longa estrada..."

A última cena que cito é especial e um resumão do que é a vida, no meu entender. Ela chama de Física da Busca.

Acho que é isso:

 Coragem para sair da Zona de Conforto. Às vezes ela pode ser o vício em uma dor. Saia do raso, do morno. Saia da reclusão da "Batcaverna" acolhedora, mas cheia de armadilhas. Nada é certeza. Tudo é um campo de possibilidades imenso.
Abertura para receber as sincronicidades. Disponibilidade para que isso chegue até você.
Disposição para fazer o que é preciso fazer. 
Aceitação do que a vida te apresenta, sejam desafios enormes ou pequenos. Pessoas que te magoam ou te apoiam. Seja o que for, aceitar como parte da sua experiência. 
Compreensão de que a Verdade é uma só e está em você.
Amor para não julgar, compaixão para superar o julgamento alheio, liberação para soltar o que não é mais preciso e capacidade de ver a beleza além do efêmero. 

Daí ... virão os Dias Melhores.

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<3 Com amor. 

*Ashram, na antiga Índia, era um eremitério hindu onde os sábios viviam em paz e tranquilidade no meio da Natureza. Hoje, o termo ashram é, normalmente, usado para designar uma comunidade formada intencionalmente com o intuito de promover a evolução espiritual dos seus membros, frequentemente orientado por um místico ou líder religioso.

 

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