50 euros no bolso e o fluxo abundância !

Turin, Turin. Quem diria que você representaria o Comer, Rezar e Amar na minha vida. Comecei com a brincadeira de contar o meu filme, logo quando cheguei na cidade. Tudo combinado e nada resolvido, foi como aconteceu. Desencontros de um lado e encontros de outro. Perfeito. 

No primeiro desencontro, acabei saindo no domingo de sol maravilhoso, com amigos para uma visita à uma vinícola. Fantástica. Nunca havia visitado. Fiquei apaixonada pelo lugar. Coisa de filme romântico. Dali já via o que me esperava. As uvas eram maravilhosas. Não sabia o que era, exatamente, esta visita. 

Meus amigos italianos falam rápido demais, mas eu tinha uma tradutora paciente, brasileira. Fomos recebidos por um homem grandão, nitidamente cheio de vinho. Ele era a pessoa que conduzia a degustação. Esta foi a experiência. Uma degustação de oito tipos de vinho, especialmente daquela vinícola. Num salão, havia uma mesa enorme, com muitas pessoas sentadas em volta e quatro cadeiras vazias, para nós que acabávamos de chegar. Este evento foi reservado, o número de pessoas é limitado por tempo. 

Começamos com um vinho branco. O senhor explicava detalhes sobre cada garrafa. Aprendi alguma coisa sobre o lado da uva que pega sol proporcionar um tipo de vinho e o outro lado da mesma uva proporcionar outro tipo. Mas não leve isso à sério, porque meu italiano é horrível e eu posso ter entendido tudo errado. 

Serviam nem meia taça por garrafa e acompanhamentos que são sugeridos para cada bebida. Uma primeira decisão minha, foi nesta hora. Eu não como carne e os aperitivos todos tinham alguma. Me dei o direito de comer o que viesse, experimentar, sem culpa. Era tudo muto lindo e abençoado. E assim foi. Primeira taça, segunda, terceira.... oitava... Não. Não lembro da oitava. Lembro até a quarta ou quinta. Porque nesta hora eu já estava bêbada. Lembro que eu olhava em volta e me sentia muito feliz. E todas as cores estavam mais fortes. Mas o que mais lembro é o motivo deste texto.

No final da degustação, fomos para o local onde são feitos os vinhos. Grandes barrios, um galpão imenso. Disso eu lembro. Lembro, também, de, apesar de bêbada, querer comprar um vinho de presente. Comprei. E sai dali para o gramado. Avistei uma cadeira de sol, deitei-me nela e comecei a olhar o céu. Muito azul. O número na parede do casarão, 36. Pensei. 3+6=9 (para uma bêbada eu lembro de muita coisa, né?). Nove, o número mais importante para mim. Lugar certo na hora certa. O mundo parou neste momento. Eu só pensava: Como eu, uma ser que só tem 50 euros (eu tinha 100 quando saí de Findhorn, viu Doug... mas paguei taxi na vila, almocei e peguei um ônibus em Turin do aeroporto até o Hotel) na carteira, para passar quatro dias na Itália, poderia estar ali, naquele lugar maravilhoso, bebendo os melhores vinhos, com as pessoas mais agradáveis que eu poderia encontrar ? E isso potencializava. Minha própria voz interior me dizia que era porque posso acessar o que preciso, quando preciso. Fluindo. Eu precisava deste movimento, exatamente deste jeito. Porque é com isso que tenho trabalhado. Acesso à abundância em qualquer instância. Não é contra o dinheiro, mas como lidar com o fluxo dele. Eu vejo assim: Há pessoas que têm dinheiro e ao invés de segurar, podem passar para frente ou prover alguém com determinada necessidade e, um conectado ao outro, recebe o que precisa. Este dinheiro, no fluxo, retorna para quem deu primeiro, porque outro vai liberar do mesmo jeito. Sem medo de não ter, sem medo de não sobreviver. Com alegria no viver. Se eu posso viver assim, mais gente pode. Pensamento mais feliz que este não poderia vir naquela hora.

Sim, estava bêbada, mas lúcida. Percebam (quem me conhece) que mesmo nesta hora o que me vinha era que todos podem acessar. É fluxo no amor. Não seguro, solto. Você não segura, isso volta. Eu confio que isso não precisa ser somente uma construção mental e cultural. Apesar de achar que para uma grande massa vai acabar sendo assim. Uma mudança de consciência através de modelos de sistemas novos. Mas acho que existe uma boa parcela de pessoas que pode acessar deste jeito que eu visualizo e que acesso. Não existe certo ou errado, mas formas diferentes de se fazer a coisa acontecer, que é todos acessarem a abundância, que não necessariamente é o dinheiro, mas o que você precisa na hora que precisa. E que o dinheiro pode ser o condutor de acesso a isso ou não. Neste dia eu precisa estar ali, para aprender sobre meu corpo e reiterar meu compromisso com o abrir espaços de abundância num fluxo do confiar que tudo está no campo. Algo muito profundo de conexão com sua alma, com o que ele de fato precisa. 

Fomos embora. Desta parte lembro pouco. Lembro só do Auri falando no carro: Patrícia, acorde... a vida é bela... e mais umas bobageiras dele, que também estava meio alto. Não tanto quanto eu, segundo ele. :) Lembro de chegar num hotel e cair na cama. 

Algumas horas depois, acordei com o telefone tocando e eram estes mesmos amigos querendo saber se eu havia sobrevivido e se sairia para jantar com eles. Claroooo.... Sobrevivi e me vesti lindamente para o calorzinho noturno de Turin. Antes disso, fui olhar meu celular e vi muitas mensagens no meu whats. Eram do grupo do Destino Colaborativo. Muitas gracinhas, piadas, risadas, e fui entender o que era. Eu havia mandado uma mensagem bêbada para eles. Antes de cair na cama. Algo do tipo: "a gente não pode parar de fazer o que fazemos, porque a abundância existe e é para todos. E eu estou bêbada, mas sei do que estou falando..." Eles morreram com isso... De rir, claro. Que maluca... 

Sobre o hotel. Não era onde eu ficaria. Havíamos reservado um hostel, mas o Auri resolveu que ele era um pugueiro e me colocou neste novo. Só entendi depois que desci para jantar. Eu já devia saber disso antes, porque estava na gravação do whats, mas não me lembrava. Nome do hotel: Universo. Claro ! Eu só podia estar em casa. E em casa, sou bem cuidada. Acesso o que preciso quando preciso. Observação: o valor do pugueiro foi o mesmo do hotel delicinha que fiquei. 

Jantar do jeito que eu queria. Diversidade de comida. Italianos falando com as mãos. Muita cor, cheiro, música. Muito simples ser feliz. Para mim parece ser. As ruas de Turin são lindas. Eu amo a Itália. E os italianos. <3 - Não tem preço, só 10 euros. 40 na carteira, neste momento.

Noutro dia, trabalhei com minha amiga, que quer o Destino Colaborativo na Itália. Também, passeei de vespa pelas ruazinhas e, claro, comi. Sorvete, massa, doces. 

Dos 50 euros totais do início da viagem na carteira, voltei com 5 para o Brasil. Maior parte  gastei no aeroporto e alimentação em alguns momentos. Os cinco euros voltaram para o caixa de fluxo do DC. O que é isso ? O dinheiro vai para onde é necessário naquela hora. 
Coisas de Destino Colaborativo. O que temos exercitado ? A confiança. Quem tem empresta para quem não tem que faz girar aquilo de alguma forma e retorna para quem emprestou. Não sabemos fazer direito. Só que todos, quem empresta e quem pegou emprestado estão cientes do movimento que estamos querendo criar. Sabemos que é um exercício para chegar em quem não tem de fato. Porque neste planeta tem muita gente que não tem, galera. E estamos exercitando, não com muita facilidade, mas têm nos dado muitos insights. Vira e mexe a gente procura aprender com outras iniciativas. E vamos agregando entendimentos. 

Muitas pessoas me perguntam como faço para viajar assim. Trabalho. Coloco à disposição o meu trabalho para que o DC faça o que faz. Com os jogos da transformação, interações virtuais, vivências, workshops. Gero uma receita Y e isso vai girando. E mais gente também podem viajar. Outras pessoas fazem isso também. Um empresta o cartão, geramos receita, pagamos e assim vai. Porque faço isso ? Porque eu acho que o dinheiro precisa girar para mais gente. Não só para quem acessa internet ou novos projetos de colaboração e compartilhamento. Acho sim que é processo individual de cada um chegar nisso, mas eu quero criar espaços que dêem acesso à mais pessoas, que, atualmente, não vislumbram esta possibilidade. Esta é a minha escolha de experiência. 

Mas volta lá... depois do passeio de vespa pelas ruazinhas de Turin. Ganhei um presente. Visitar a Abadia de Saint Michel. Tenho uma relação com Arcanjo Miguel. E um dos locais do DC é Mount Saint Michel, na França. Eu desconhecia que havia mais 6 abadias fazendo um caminho reto até Jerusalém. Esta de Turin é uma delas. Foi muito emocionante para mim. Não estava programado. No dia seguinte seria dia de Arcanjo Miguel, e eu já estaria de volta ao Brasil. Em 2013 aconteceu a mesma coisa. Estive na Abadia da França no dia anterior a 29 de setembro.

Em Turin, o lugar é mágico. A igreja está no topo de uma montanha que eles chamam de cabeça de dragão. Eu tirei fotos dela à distância. E, de fato, parece um dragão deitado e ela lá encima. De um lado da vista era possível ver a França. Tudo muito perfeito. 

Subindo as escadas da abadia, me senti muito emocionada. Havia cânticos ao fundo. Dentro do salão principal, as imagens todas do cristianismo, misturadas com símbolos celtas, chamam a atenção. Sentei por algum tempo e meditei. E só me vinha o sentimento de gratidão. Chorando sei lá porque. Perguntei para Arcanjo Miguel porque eu, corpinho pequeno que tenho, tinha escolhido fazer coisas que estavam tão imensas para mim. Sim, imensas. Por mais amor que eu sinta, as coisas são imensas para carregar às vezes. Eu não sei fazer perfeitamente. Toda hora eu me deparo com dúvidas mentais. Busco apoio em quem eu acho que sabe mais que eu, mas não é suficiente. Eu sinto no coração que é outra coisa. E talvez esta coisa seja somente confiar no meu coração, porque ele tem acertado na mosca já há algum tempo. Quando eu confiar, pode ser que deixe de ser imenso.  Simplesmente é o que é. Eu prefiro contar que tenho dúvidas e dores, do que fingir que sou guru que sabe tudo. Sem mimimi. :) 

Esta foi minha conversa com Arcanjo Miguel. Já contei esta história, acho... Mas saindo de lá, Carlo pegou, no chão, um fruto do Carvalho e me deu. Me pediu para apertar. Apertei. E me perguntou: "ele é forte ou fraco ?" Eu respondi que era bem forte. "Ele é pequeno ou grande ?" Respondi: Pequeno. "Então, tá !!" Conversa de doido. Porque ele leu meus pensamentos ? Resposta de Arcanjo Miguel na voz de alguém em quem confio. Carlo não sabe muito do meu trabalho. Não falamos muito disso, mas ele diz que sabe que o que eu faço vem da minha alma. 
Sim, minha alma quer ser livre e que o mundo seja livre. Energia livre, animais livres, pessoas livres, sem amarras. Este é o chamado da minha alma. Compromisso com liberdade, com o que me aproxima da percepção da Fonte. Você pode não ter ideia do que isso significa, mas pode trocar a frase toda por Plenitude. 

Rezar foi o último movimento em Turin. Na Abadia de Arcanjo Miguel. Comer foi uma libertação do meu corpo durante todos os dias. O jogo da transformação tem me feito este chamado para reavaliar minha alimentação. E tive muito prazer em fazer isso, nesta viagem. Cada docinho, cada fruta ou comida foram saboreadas com muita presença. O Amar... hummm, o Amar !! É o que faço 24 horas do meu ser. Mas ainda acho que este Amar do filme, vai rolar só em outro lugar do planeta. Um lugar com sol, mar e caipirinha. Causos para um novo texto. 

Em tempo, a gente criou uma página no Facebook que chama-se Foda-si. É parte de um projeto do Destino Colaborativo que vai apoiar pessoas que querem chutar o balde e realizar algum sonho. Vamos colaborar com quem quer realizar este sonho. Um desenho básico de como poderia ser feito. Daí colocar em prática é com você. Vai lá na Página

Você pode acompanhar meu álbum completo de fotos desta viagem neste LINK. Gosto de contar as experiência em fotos. Aqui abaixo, coloquei somente algumas.  

Com amor !