Tempos nada difíceis. Mesmo falando uma língua que ninguém entende.

Tempos difíceis. Tenho ouvido muito esta frase. Eu achando que estava na contra mão. Porque, para mim, o ano foi muito fácil. Simples. Divertido. Abundante. 

Recebi muitos presentes neste ano. Começou pela ida ao Monte Shasta. Lá entrei em contato com coisas desconhecidas. Talvez não desconhecidas, mas invisíveis aos olhos comuns. Só sei que para mim foi muito real. Curas físicas de doenças pesadas aconteceram. Pessoas que estavam conectadas comigo tiverem acesso às mudanças significativas em suas vidas. Tudo pareceu muito grande, mas como me disse um amigo dia destes, não é. É o normal. Só não estamos acostumados a perceber tudo isso. 

Nesta viagem, em maio, aprendi coisas valiosas sobre manifestação ou materialização das necessidades. Foi o primeiro Destino Colaborativo que se pagou totalmente. Porque aprendi a lidar com algumas situações: o medo, a resistência, o fluxo, o amor. E as pessoas que estavam comigo, neste desafio, também se conectaram com isso. E funcionou. 

Em seguida ao Monte Shasta, fui para o Jogo Planetário, em Findhorn. Fui sem grandes expectativas, achando que iria só observar tudo e voltaria com a alegria de ter participado de um momento tão incrível que é este jogo e em Findhorn. Ainda bem que fui sem expectativas, pois fui surpreendida. Me tornei jogadora do Futuro Emergente, na última "rodada".  

Me preparando para jogar.

Me preparando para jogar.

Eu experimentei algumas coisas bem importantes, para mim. Uma delas foi perceber a diferença de quando pisava nas casas do jogo, no caminho da vida do tabuleiro em relação ao pisar nas casas da Fonte. Nesta casa da Fonte eu não ouvia ruídos. Era um silêncio dentro da minha mente, como se eu estivesse flutuando. E nestes momentos eu conseguia me conectar com uma inteligência que não coloco nome, por não saber qual seria. Só sei que as coisas ficavam claras. 

Quando eu fui para o Jogo, levei um propósito relacionado a encontrar um homem que pudesse ser meu parceiro de vida. Parece bobagem. Mas para mim é importante. Eu me sinto muito sozinha. Sozinha para fazer coisas comuns. De ir ao cinema. Comer pipoca. Dormir junto. Acordar junto. Falar bobagens. Ver um filme na TV. Ouvir musica ou só olhar a lua. Eu fui decidida a ter este propósito no Jogo. Sabia que o que eu precisava para alcançar este propósito me apareceria. Trabalhei com isso por um mês. Com as meditações indicadas pelas diretoras do jogo. 

Para entender um pouco de como ele funciona, resumidamente: Há um propósito para o planeta. Um para cada área do jogo (Comunidade e Sistemas, Relacionamento, Mundo Sutil e Meio ambiente e natureza) e um para cada participante. O jogo acontece em quatro rodadas durante a semana toda. Um caminho de vida, como vocês podem ver na foto. Cada rodada tem um jogador, um anjo, um insight e um bloqueio. Pessoas representam estes personagens. Para a definição dos grupos em cada área, acontece uma espécie de constelação e cada participante vai até a área que se sente chamado, sem saber qual é qual. Depois que todos estão alocados, as placas são levantadas com os nomes das respectivas áreas.

Visão geral do tabuleiro

Visão geral do tabuleiro

O primeiro movimento foi saber em qual área cada um iria trabalhar. Achei meio óbvio que minha área seria relacionamento. No máximo, máximo seria mundo sutil. Mas não é uma escolha mental.  E eu caí na Comunidade e Sistemas. Como ? Deva (anjo do jogo) você tem certeza? Tem... ele sempre tem. Eu é que nunca tenho. Depois disso as áreas se reúnem, para falarem dos propósitos, e tiramos um insight e anjo que nos acompanham. Meu insight foi "Passe a vez para outro jogador agora ou quando você achar que é hora." Surtei. Fiquei muito brava. Meu propósito já não fazia sentido naquela área e ainda vinha este insight passe a bola para outra pessoa ? (Dou risada de mim mesma agora, depois do turbilhão). Me veio só uma pessoa na cabeça. A única pessoa para quem eu poderia passar a bola em tudo o que penso que seria importante fazer numa comunidade e no sistema. Mas era impossível falar com esta pessoa. 

Bem... trabalho da noite finalizado, sem fecharmos os propósitos. Isso seria feito no dia seguinte, pela manhã. O Deva é danado. Ele faz toda esta zona dentro de mim, sabendo que a noite é uma criança e que nada como um travesseiro em Findhorn para as coisas ficarem claras. Fui para casa, agoniada. O que eu ia fazer com aquele propósito idiota (já estava achando idiota, porque parecia que eu não havia nascido para ter uma vida comum, com namorado e tudo). Fui para o quarto. Eu não conseguia compreender o que era tudo aquilo. Qual a relação da comunidade e sistemas com ter um namorado. Meu último namorado, esta pessoa para quem eu passaria a bola, era a única pessoa que me vinha à mente. Ficou comigo durante todo o jogo. Sua imagem. Sua presença em mim. 

A casa onde eu fiquei era linda e grande. 13 pessoas hospedadas. Não havia conhecido todas elas. Somente meus amigos brasileiros e minha parceira de quarto. De lá do quarto, ouvi uma risada muito gostosa. Me chamou a atenção. Tenho uma coisa com alegria. Com risadas, especialmente. Mas nem fui ver quem era. 

De manhã, levei meu computador para a cozinha. Era bem cedo. Eu sabia que meu propósito precisava mudar. Fiquei rabiscando um caderno. Estava sozinha. Achava que estava. Ouvi uma pessoa me perguntar em multilínguas (italiano, português e inglês tudo junto e misturado) . "Vc gostaria de ovos no seu café ?" Hã ? Olhei e era um belo homem, gentil, querendo que eu tirasse meu computador da mesa do café. Este foi o jeito que ele achou de chamar minha atenção. A gente ri disso. Quem disse que era só gentileza. Eu que estava trabalhando num lugar de comer. Fechei o computador e aceitei os ovos, o chá, as torradas, a companhia e a mudança de propósito. Foi instantânea nossa conexão. Descobri que ele era o dono da risada. E descobri que ele era parte do meu propósito inicial. Entender em mim o que era me relacionar com alguém sem pensar muito, só estar junto. 

A gente se divertiu muito todos os dias. Nas horas vagas, que eram poucas. Mas usamos todas elas para rir, andar, brincar, ver o mar, comer, se cuidar e cantar. O que o Deva queria me mostrar ? Não sei, ao certo. Vivo pensando nisso. Não sei mesmo. Sei que foram bons, aqueles tempos.

Mudei o propósito para eu Pretendo criar uma comunidade no Brasil, baseada na colaboração, na energia do amor, liberdade e compromisso. Fez sentido para mim. Meu coração se aquietou. 

Fui para o jogo. E na primeira rodada eu fui anjo. E anjo é um desafio. Porque eu não podia falar nem ser notada. Imaginem só... Eu... não falar... não ser notada. Eu fiz meu papel. Inspirei a jogadora da rodada e dei consciências para muitos outros jogadores. Incluindo meu parceiro amoroso nesta aventura toda. 

Quando cheguei no movimento de ser jogadora do futuro emergente, foi um susto para mim. Não esperava mesmo. Fiquei com pânico. Não queria ir. Olhava para o Carlo e ele só sorria me convidando a levantar da cadeira e ir. Ele sabia o que se passava comigo. Eu é que não sabia. Como assim, me expor para pessoas dos cinco continentes, falando do futuro emergente que eu compreendo ser diferente de tudo o que está aí ? 

Fui com medo mesmo. A Joy (criadora do jogo) me chamou antes de começarmos a jogar e disse que ela também tinha medo. E que eu só devia deixar o Deva jogar o jogo, eu só precisava rolar o dado. Isso me deu uma imensa paz e força. E o jogo foi lindo. 

Entrei em contato com 2 bloqueios:  1. "Só me expresso quando estou 100% segura". Veja bem. estou falando aqui neste post, mesmo sem estar 100% segura de que vão me entender ou de que seria isso mesmo que eu deveria fazer. Hoje foi um dia angustiante. Justamente porque falo grego. Ou nem grego. E quando me sinto assim, me vejo sozinha. Eu cresci assim. Não podia falar das coisas que partiam deste lugar estranho aos olhos normais, pois todo mundo me achava estranha aos olhos normais. Por isso parei de falar. Às vezes acho que estou me fazendo entender, mas não estou. Às vezes acho que há alguém como eu, às vezes sinto que não. Como hoje. O que eu falo me parece bem simples. Podemos todos acessar o que precisamos, na hora que precisamos, sem troca. Somente partindo do pressuposto de que somos cuidados por uma consciência única, da qual somos parte. Sendo assim, é só SER e compreendermos o que nos afasta deste SER íntegro. O que nos separa. O medo. Medo de não ter, da escassez, a morte. E que a energia do amor faz fluir, sem percepção de valor. O que não é julgamento do sistema vigente ou qualquer outra coisa, simplesmente uma etapa da expansão da consciência. A única coisa que causa separação, no meu entender é o medo. 

O 2o foi que estou bloqueada pela minha preguiça. Verdade. Preguiça de olhar este mundo com coisas bizarras na política. Um mundo que se cria escola de princesas, por mulheres. E para atender homens que preferem viver com estas princesas. Preguiça de ver pessoas olhando para seu próprio umbigo. Preguiça dos super heróis que resolveram salvar o mundo que não é de ninguém. Preguiça da forma proprietária que as pessoas lidam com algumas coisas que são de domínio universal. Preguiça de falar grego e andar na contra-mão. Foi deste último que falei no jogo. Falei que me cansa ter que explicar que não é nada disso. O que é o novo que enxergo. Que não é porque você não enxerga que não existe. Hoje eu senti que não tenho preguiça mais. Ela acabou. Porque a observei. Fiquei olhando para ela e vi que não existe. É só uma identificação com algo que eu gostaria que fosse diferente do que é. E veio a aceitação. 

Estou ciente destes dois bloqueios que vieram no meu jogo. Com um olhar atento a eles, estou ciente também de uma casa importante que me deu chance de falar da moeda Transition. Que é movimentar a matéria através do coração e não do medo da escassez, que a troca inspira. Falei dela, como forma de desenvolver a colaboração sem excluir ninguém. Este foi o ponto alto do jogo, para mim. Muitas pessoas me procuraram para entender mais. Outras estão conectadas até hoje, querendo criar iniciativas em seus países utilizando o mesmo processo. E isso não é negar a matéria, em detrimento do Espiritual. Porque para mim, o espiritual é o SER, integrado de todas as dimensões: física, emocional, mental e a própria espiritual. Até transcender para outras dimensões que o ser humano está começando a acessar, como parte de sua evolução. Por exemplo, o Amor e Unidade. 

O anjo que finalizou meu jogo foi Deleite. Parece sempre que o Deleite é pura festa. Mas não para mim. Eu o conheço bem na minha vida. Ele se mostra sempre como uma qualidade de aproveitar todo o momento que se passa, independentemente do que estiver sendo apresentado. E, depois do jogo, muita coisa aconteceu. 

A comunidade começou a nascer, de uma forma orgânica, sem muita expectativa. Eu reencontrei a pessoa para quem eu poderia passar a jogada. Não existe outra pessoa para fazer isso, de criar uma comunidade, com base na colaboração, na energia do amor, liberdade e compromisso. Só ele pode, no meu entender. Tá passado o dado. Sua vez de jogar. 

A viagem do Monte Shasta deu fruto a um novo grupo. Numa estrutura linda. Com pessoas novas liderando. Eu fora de cena. Olha "eu anjo" aí... só inspirando e sem fazer muito alarde. Vou junto, pois iremos de Motorhome e isso eu não perderia por nada. Mas a jogada está com outras pessoas.

O mesmo aconteceu com o próximo grupo de Findhorn 2017. Há dois novos facilitadores, eu fora de tudo. O dado foi passado para muitos novos jogadores. Esta é a comunidade que imaginei. Cada um fazendo o que gosta pelo coração, sendo remunerado por isso. Sem hierarquia, de forma distribuída.

Daí surgiu o Laos. Já estava na lista dos Destinos, mas não sabia que seria para já. Sim... estou embarcando para o Laos. Para ficar em mosteiros neste país e em Myanmar e Camboja. Seguindo as minhas vozes internas. Que me pedem para me retirar por um tempo indefinido. Vejam só que coisa. Mas esta viagem tem um lance importante. Depois que falamos dela, no DC, me veio que o próximo Jogo Planetário será na Tailândia, em 2018. E entendi que poderá ser um Destino Colaborativo que incluirá o que eu descobrir nestes 3 países e mais a Tailândia, para brasileiros irem até esta experiência, colaborativamente. Bangkok incluída no meu roteiro. Já conversei com a organizadora do jogo por lá e vamos conversar sobre isso. 

Vou fazer um diário de bordo do Laos, como sempre faço. Mas estou deixando acontecer. Porque cada viagem tem sido uma aventura diferente da outra. Estou em busca de uma coisa. Desapego. Não sei se conseguirei, pois sempre se apresenta algo bem inusitado. Estou aberta ao que se apresentará.

Diferente de como algumas pessoas me percebem, eu não sou guru, não sou mestre, não quero ser, odeio ter seguidores. Adoro ter amigos, pessoas que me apoiam e entendem que sou de carne e osso e sabem que por isso quero ter uma namorado para valer e que como pipoca doce sozinha vendo o mesmo filme, mais de 10 mil vezes. Pessoas, estas, que andam com suas próprias pernas e que no máximo me seguem no Instagram e facebook. Estas pessoas sabem que odeio frases "beijos de luz" ou de biscoito chinês da sorte. Mesmo assim elas continuam usando, mas isso não é problema meu. Não me sinto mal por ser inteligente, uma oitava acima, interessante, destemida, disruptiva e de verdade, mesmo quando estou equivocada. Me sinto mal sim, por ser sozinha, nesta parceria homem e mulher. Só isso. E eu vou entender isso em mim, para aí sim, poder falar mais sobre. Por hora, estou seguindo meus chamados fortes do coração, que falam sobre criar espaços de expansão e levar as pessoas para estas viagens que faço. Que são incríveis, transformadoras e notáveis.  O Jogo planetário de 2015 me deu algo muito importante: Assumir minha liderança, com autoridade e inteligência. O de 2016 me deu o seguinte: me expressar pelo coração, na vibração da minha potente voz do amor, sem excluir aqueles que me dão preguiça imensa. Se você me causa preguiça, não se preocupe... Não te excluirei. Já superei este bloqueio.

Não precisam ser tempos difíceis, não !

Com amor

Patrícia Stanquevisch