Laços, a inércia da Humanidade (1)

Andar sem amarras. Só no fluxo. 

Andar sem amarras. Só no fluxo. 

Semana que passou eu tive um sonho. Sonhei que havia uma comunidade onde cada pessoa dava X dinheiros por um mês. Cada mês eles sorteavam alguém que ficaria com todo aqueles X dinheiros. Naquele mês do sonho eu via um garoto, que conheci na Laboriosa89, sendo sorteado e ficando muito feliz pq poderia pagar seu curso de pós graduação. Eu, emocionada, chorava, ao lado de um anjo, porque achava que era lindo aquele desprendimento das pessoas com seus dinheiros e pela felicidade do menino que recebeu o dinheiro naquele dia. O anjo me perguntou algo sobre aquilo tudo. Agora, neste momento não me lembro o que, mas o que me lembro é que ele finalizou com a frase: "Laços são a inércia da Humanidade!" Acordei com a frase clara na minha mente.

A semana passou toda com minha observação sobre este tema. E dele saíram alguns subtemas tais como filhos, relação amorosa, trabalho e dinheiro. Por isso este tem o número 1 no título.

Senta que começou a história.

Nasci para aprender a ser livre, mas sempre fui bastante apegada às pessoas. Mãe e Pai, tias, irmãs, primas, primos, avós, avôs. Não que fossem relacionamentos fáceis, mas havia um apego. Uma necessidade de estar junto. De ter validação. Hoje entendo que eram as experiências que precisei passar para o tal aprendizado humano. 

Mas uma coisa interessante acontece comigo. Tenho dois filhos, mas não tenho apego. Meu filho mais velho, hoje com 15 anos, ficou só com o pai, ainda sendo amamentado, por que eu escolhi ir para Cuba, num trabalho do meu Mestrado.  Nesta decisão, acho que entendi que eu tinha que fazer isso para expandir a autonomia. O pediatra foi essencial neste contexto, pois ele me disse: "Vá !! Pq vai ser bom para ele, que um dia vai fazer o mesmo sem sentir culpa de te deixar em casa. Um passo para a confiança dele. Você vai voltar." Assim foi. Assim é, ainda.

Eu fiz, ano passado, uma escolha de viver de uma forma que não é comum. Busco na colaboração, no compartilhamento e na manifestação da abundância ter o que preciso para viver. E hoje é assim que acontece. Testando fórmulas novas para mim. Cada dia mais fluindo e conectada com o Campo de Possibilidades. Eu me espanto como isso acontece. Uma potência e força que, às vezes, me tiram o ar. Minha criatividade é uma energia que materializa. A energia do Amor me conduz até onde e quem preciso ir.

Os meninos ainda vivem no meio do paradigma de uma mãe que quer hackear a  vida e o paradigma de um pai que tem outros olhares. O pai dos meninos é paizão. Sempre foi. Não concorda com nada do que eu faço hoje, mas faz o que eu acho que é mais importante: Ser pai deles com toda integridade.  Só que há mais que isso, né ? Eu sou mãe. Eles ainda têm necessidades individuais do estar com uma mãe. E esta mãe não tem mais fronteiras. Porque tudo se manifesta na frente dela, sem mais nem menos. Viagens, lugares que gostariam de me ouvir. Pessoas que querem desenvolver projetos nesta nova forma que estou intuindo para os empreendimentos com os quais me envolvo. Não há mais um lugar comum. O mundo todo pode ser onde vou estar a qualquer momento.

Eu percebi isso em Floripa, nesta última semana. Estar em SP me dá uma potência, com ruídos. Os quais estou tentando entender e lidar. Quando estou em Floripa, minha conexão é extremamente limpa, clara. As "guianças" são diretas, sem interferências. Então, por quê cargas d´água eu não moro em Floripa de vez, né ? Resposta: Porque é claro para mim a liberdade, mas também o compromisso que tenho com os dois. Eu sinto este compromisso no meio do meu cardíaco. E ele me diz que há um tempo para eu sair desta liderança e que estou junto "agora" para apoiar na transição pessoal de cada um no assumir o individual para estarem no Coletivo inteiros. Não me passa no mental, mas vibra. E isso não é um laço. Laços amarram e eu não me sinto amarrada. Sinto que o movimento é colocar minha energia de manifestação numa forma que eu possa estar em SP com eles e em Floripa por mim. E que eu viaje para outros lugares quando houver o chamado e que fique com eles no ninho quando não houver. Me vejo nesta dança gostosa. 

Mas claro... há a cobrança das outras partes. Pq não é comum. Mãe é para X, Y,Z. Será ? Porque não podemos fluir com os filhos, sem amarras ? Nunca me senti amarrada aos meus filhos. Tive este medo quando o Pedro nasceu. Mas passou e fluiu. Numa parceria intensa com o pai, fluiu. E como fazer agora ? Só fluir. Ser transparente  com eles. Equilibrar nossas necessidades. Fortalecer a confiança de que temos cada um o próprio caminho e o que nos une é o AMOR e não a dependência.  

Não me incomoda mais como as pessoas me vêem pelas minhas escolhas. E é libertador este movimento. Sou uma mãe singular. Como todas são. Geralmente, queremos o mesmo para nossos pequenos. Que eles sejam felizes. A forma que fazemos isso é que difere. Eu faço sendo íntegra, não corrompendo meus movimentos por um laço definido culturalmente, mas por uma conexão de Amor. E a cada dia funciona e funcionará melhor pela minha dedicação com meu despertar e o estar na presença. Aquela coisa do ruído de SP é um exemplo. Estou presente neles. Os percebo. Percebo pessoas que me distraem e observo até aquilo dissolver. Pois estes ruídos, que podem ser Ns, causam laços que depois me fazem surtar. :) Me tiram de mim mesma. Estar em mim é o maior presente que posso dar a um filho, é minha percepção. Pois qualquer coisa diferente de estar em mim seria uma ilusão.