Próximos passos, rumo à intenção de vida.

Vir para Findhorn, pela segunda vez, foi um novo mistério para mim. Eu havia decidido não trabalhar em nenhum dos departamentos. Só acompanhar o grupo, escrever sobre as experiências. Mas na hora H, senti um impulso forte e escolhi estar no HomeCare, cuidados com o lar.

Vou contar um pouco sobre o funcionamento dos departamentos. Para dar uma base na percepção que quero repassar.

A comunidade é composta por departamentos de trabalho. Isto é, os locais onde grupos se dedicam às atividades que garantem o funcionamento das áreas comuns a todos. Homecare, jardim, manutenção, cozinha, horta de Cullerne, etc... 

Na semana de experiência, nós nos envolvemos com um destes departamentos e trabalhamos juntos em um  time, por meio período do dia. Há um focalizador, que nos orienta no que fazer. Geralmente, trabalhamos com mais uma pessoa, na mesma necessidade.

Em 2013, trabalhei no Jardim de Clunny. Desta vez, como eu disse, tive um impulso de estar no homecare. Foi somente assim que compreendi algumas coisas. 

                                                Equipe Homecare Park

                                                Equipe Homecare Park

Quando eu organizava os copos e canecas do chá, observava os demais lavando as louças e limpando os espaços nos quais eu havia estado há pouco tempo, comendo e saboreando um delicioso almoço. E percebi que quando deixamos de fazer nossa parte nesta distribuição, o fluxo é interrompido. Os copos não estariam limpos, o almoço não estaria feito.

Quando trabalhei no jardim, não senti a importância disso tudo. Estava enfiada em minhas pequenas descobertas sobre mim mesma. Daí vem a outra parte do aprendizado. A distribuição acontece de forma compromissada, mas a disponibilidade para o compromisso está na capacidade de ser Eu Indivíduo e Eu Coletivo, numa fluência, onde nem UM nem OUTRO impedem a evolução de ambos. É um movimento em ondas, em círculos, que se conquista aprendendo a se sintonizar com a Vida Interior e com a Vida Exterior. Daí surge o Amor em Ação, que acontece de forma distribuída, sem centro, dando acesso ao que se precisa a quem consegue se conectar com este compromisso.

Há formas de moradias em Findhorn. Vou citar um formato para ilustrar  meu olhar sobre o compromisso. O membro da comunidade tem acesso à moradia e alimentação. Faz sua parte no trabalho distribuído e recebe o que precisa para sua vida na comunidade. Obviamente, há mais que isso, no fundo de tudo. Tem um salário que ainda não tenho total entendimento de como se realiza. Não consigo ir mais fundo por não morar em Findhorn. Deve haver as sombras do mesmo jeito que em outros locais. Mas o processo é adiantado. Pois tem funcionado há mais de cinquenta anos, em constante transformação com abundância.

Também existe o carro compartilhado, elétrico e, em alguns lugares, não elétricos. Você pega em um local e o deixa onde combinou. 

O compromisso, neste contexto de acesso, também, é parte essencial da eficácia. Como ter acesso a algo que não é seu, de propriedade, e cuidar dele, se não houver compromisso no cuidar, no manter e no conviver ? Saber que, se quebrou é preciso consertar. Se você não quebrou, olhar sem culpar e tentar achar uma solução. Um cuidar do objeto, da matéria e das relações.

Como não culpar, julgar, assumir, entender o conceito de responsabilidade, compromisso, se ainda se é analfabeto interior ? Adquirindo repertório para esta transformação ? Sim. Também, mas para mim é claro que existe um movimento do Universo que funciona como a história do 100 macacos  ou com a visão de Amma e Bhagavan sobre a cada 100 despertos outros 100 também despertarão, simplesmente por expansão desta energia. Então, há um acontecimento se abrindo. E, se você chegou a este texto, quem sabe não é para olhar para esta minha percepção com seus próprios olhos.

Fiquei feliz quando fechei este raciocínio dentro de mim. Ele já existia, mas não tão incorporado. Era conceitual. Havia uns desconfortos com muitas teorias, sem prática. Hoje, posso dizer, que tenho condições de conduzir processos coletivos na busca de espaços neste movimento. Sinto em mim a Vida Interior e Exterior vibrando em plena potência. 

Tive que entrar em contato com muitas percepções sobre mim mesma. E olhei para as interações, as conexões que tenho, como as conduzo. Observei os espelhos. Espelhos que não me refletem mais. São, agora, parte da experiência passada. Ciclos fechados. Outros se abrindo.

O Destino Colaborativo tende a ser um protótipo desta realidade de Amor em Ação, distribuição da abundância, cada vez mais. E não falo mais dele como uma iniciativa, um empreendimento, mas como uma inteligência com luz própria e um lugar situado na nova dimensão que está se abrindo. Não é um conceito. Não é uma teoria. É uma energia de acesso à abundância e que nos apoia a encontrar nosso papel neste EU individual e EU Coletivo. Não sou eu. Somos nós.

E, numa meditação no Santuário do Jardim Original em Findhorn, assumi este caminho. Meus próximos passos. Comecei no Brasil com esta dança: "um passo pequeno, outro passo pequeno, voltei.." Aprendi e integrei em Findhorn. Agora são: passo largo a frente e outro passo largo a frente. Aguardem. Vai acontecer algo potente e amoroso.

Com amor.

Patrícia Stanquevisch, its me !!