O lado sombra da acomodação no conhecido.

Um dia na minha vida faz uma diferença imensa. Ontem pela manhã, acordei certa do que eu escreveria neste post. Hoje ele já é diferente. A intensidade com que as coisas acontecem, ou de como eu as vivo faz com que, realmente, sempre esteja reavaliando tudo para ser mais transparente e íntegra possível. O que mudou de ontem para hoje ? Minha compaixão na forma de falar. Ontem eu estava meio brava. Hoje, não. Acolho cada um que esteja na situação que descrevo aqui.

Neste processo de colaboração para a Viagem de Findhorn, aprendo muito sobre o ser humano, em primeira instância. Tem dias que, confesso, acho que estou muito distante de entender sobre o assunto. O que me leva à frente é o coração. Pouco mental. Não fico avaliando processos que devo realizar. As coisas vêm forte como intuição e eu coloco em prática.

No último final de semana, no Festival que organizamos, as meninas brincavam dizendo que elas  pensam, pensam, pensam e muitas vezes não fazem e, eu, faço, faço, faço e depois penso. Acho que é por ai. Não faço intempestivamente. Faço por simplesmente sentir que é o caminho melhor que surge no coração.

Sendo assim, é mais fácil que eu não me acomode nos paradigmas confortáveis. E na minha inquietude,  busco informação, quando quero entender por que as pessoas agem de determinada forma. 

No Dicionário Aurélio, encontramos que a palavra Colaborar significa Trabalhar em comum com outrem ou agir com outrem para a obtenção de determinado resultado. A etimologia nos diz que vem do latim Collaboro, -are, trabalhar com. 

Seguindo a linha de raciocínio dos significados, Voluntário é  1. que não é forçado, que só depende da vontade; espontâneo. 2. que se pode optar por fazer ou não.

No projeto do Destino Colaborativo Findhorn,  os tripulantes são colaboradores, não voluntários, apesar da escolha ter sido feita de forma espontânea e dependendo de suas vontades, mas não podem optar por não colaborar, se quiserem viajar. Não é uma opção, mas uma escolha à revelia da proposta. A colaboração não trará somente recurso financeiro. Mas muito mais que isso, a todos eles. A interação manifesta apoios diversos, afetivos, de aprendizado, de abundância profissional, conhecimento de outras áreas, expansão em diversos níveis. O propósito é que todos possam ir para Findhorn com os recursos angariados, mas o ganho é maior. Fazer parte do grupo, por si só, já é um ganho. 

Tenho percebido que esta é uma questão no grupo. Não perceber os ganhos e as trocas. Até os que trabalham muito, não percebem isso. E, mesmo que infelizes num processo antigo, é mais fácil voltarem para ele do que enfrentar o novo.

Fico observando as frases e os movimentos. Num primeiro entrave, cansaço, desgosto, stress a primeira forma de lidar é voltar ao modelo velho, que não é, necessariamente, colaborativo. E, muitas vezes, os colaboradores começam a se colocar no papel de voluntário. Fazendo e achando que fazem só pelo outro e não por si e/ou por todos. 

Os que fazem muito acham que fazem demais. Os que fazem pouco acham que recebem pouco. Enfim, neste momento é o ego falando. O ego que volta ao paradigma da escassez. de que não tem para todo mundo. Que não merece receber aquilo. Que o outro é o algoz e ele é a vítima. Daí o caldo entorna para as questões pessoais. Começa-se a olhar os dramas familiares, profissionais, financeiros e a colaboração vai para o brejo. Medo de estar numa furada. "meu trabalho, meu dinheiro, minha profissão, minha família, minha dor." Vejam que é o ego falando. MEU/MINHA. E aí volta-se a acomodar no antigo. Diminui-se a interação no grupo, fecha-se na sua dor, na sua impotência, não usa a força do campo das possibilidades criada pelo interagir. A colaboração morre para esta/s pessoa/s.

Exige mesmo, mais do que se imagina, se manter neste novo. Dá trabalho. É uma escolha. Mas uma escolha que precisa ter força, desapego do antigo e muito conhecimento de si mesmo. 

Se me perguntarem, hoje, como o mundo poderá ser mais colaborativo, eu diria: dê ferramentas para as pessoas fazerem seus trabalhos interiores, assumirem seus poderes pessoais e darem conta das sombras que as impedem de caminhar. Isso, para mim, aumenta a interação entre elas, possibilita que elas se conectem ao amor e se abram para a abundância. Seja ela financeira, de amigos, de trabalho, do que for. 

Espero de verdade que as carapuças não sirvam nos egos, mas no coração de cada um que ler e se identificar. Pois minhas reflexões são por amor. E servem para a minha própria prática colaborativa. Me vejo nisso, muitas vezes. Como eu disse, estas escolhas, dão trabalho !!

beijos