Diário de Bordo - dia 4

Recebo mensagens todos os dias sobre esta minha jornada. Por e-mail, facebook aberto, inbox, whatsapp, ligações. Parece que as pessoas estão conectadas mesmo por muitos motivos. Estas mensagens e conexões de amigos antigos ou novos, têm me dando muita força.

Ontem, especialmente, não foi um dia fácil. Pode parecer que os dias são fáceis, pois mantenho uma energia de confiança, mas não são todos, não. 

Pela manhã passei por uma situação pessoal que me colocou de frente com sombras minhas muito potentes. Foi difícil olhar para elas, mas não fugi. Causou imensa dor, medo, vontade de desistir, mas eu ouvi muito dentro de mim que era importante entender aquelas sombras para acontecer uma cura. Foi o que fiz. 

Mesmo com esta imensa dor, continuei a minha programação e fui para Ouro Preto, com meus amigos. Já conhecia a cidade, porém meu "Druída Particular" havia organizado algumas coisas importantes para que eu entendesse meu processo de desapego e evolução. 

As ruas de sobe e desce não eram suficientemente íngremes para que eu superasse a dor que estava sentindo. Mas o Diego não desistiu. Ficou ao meu lado todos os minutos do dia e me levou a alguns lugares, realmente, onde se encontravam pessoas que eu precisava encontrar.

O primeiro foi numa loja de jóias com pedras preciosas. Onde conheci Abadia. Uma bruxa mineira, que olhou para mim e me reconheceu. Reconheceu como reconhecemos velhos amigos.  Me abraçou carinhosamente e, dentre outras coisas, me disse que eu estava no caminho e que, apesar de estar parecendo difícil, era aquele o caminho. Ora, ora... esta é a minha frase. rs. Falo isso sempre. Me disse que ia tudo ficar mais leve em breve. Me deu um presente. Um colar de perodite. A pedra do Amor Divino. Acho que é o que eu precisava naquele momento.  Me deu um novo abraço, com lágrimas nos olhos e eu, já me debulhando em água, agradeci e entendi que eu ia conseguir superar mesmo toda a dor e os desafios que escolhi.

Subimos mais alguma parte do morro até a Igreja de São Francisco de Assis. Já conhecia, pelo lado de fora. Mas dentro e com o Diego acompanhando, nunca. Foi uma importante parte do meu dia. Não mais que 20 minutos de entendimento do meu Ser.

Não poderei contar o significado desta parte da viagem em Ouro Preto. Não por que é pessoal, mas por uma necessidade ainda de introspecção com o aprendizado até integrar. Mas posso dizer que tive certeza de que há algo muito maior, acima de nós. Que nossos medos nos afastam deste maior, a partir do momento que o colocamos a nossa frente e a serviço da sobrevivência somente. 

A última parada foi no Mosteiro Zen. Já estava muito frio e eu no meu limite, realmente. Não achava que daria conta de mais qualquer emoção naquele dia. E assim o Universo me respeitou. Me deu apenas o poder de contemplar a vista maravilhosa de um dos pontos mais altos da montanha em Outro Preto.  Me senti pequenininha, frágil, dolorida e ao mesmo tempo confiante de que um Deus como o nosso não faria um mundo daquele ali, tão lindo, perfeito, à toa. 

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Finalizei o dia, em BH, jantando com amigos velhos e novos.  Meu corpo doía muito, pela intensidade de tudo o que vivi. Mas eu estava leve, com vontade de ouvir as pessoas, rir com elas, mas falar pouco. Só queria sentir tudo e o todo.

Escrevi o texto hoje, 14, mas esta é a jornada de 13... Hoje ainda tem mais... Estou caminhando !